19 dias dos namorados atrás

Todo palmeirense com 30 anos ou mais tem uma história para contar sobre o dia 12 de junho de 1993, e comigo não poderia ser diferente, portanto aqui vai a minha:

12 de junho de 1993, dia dos namorados, final do Campeonato Paulista de 1993. Eu, então com 16 anos, não tinha nem namorada nem título. E, para mim, as situações eram meio que semelhantes: apesar de eu saber que um dia as duas coisas iriam acontecer, parecia que ambos nunca chegariam.

Já que estamos falando de futebol, dá para usar a seguinte analogia: sempre que uma destas coisas parecia que iria acontecer para mim, batia na trave e me deixava com o grito entalado na garganta. E aquele maldito gosto amargo da decepção.

Assim, mais uma vez, lá estava eu, sem namorada e com medo. Medo por causa do 1×0 no jogo da ida, medo por causa do histórico recente de decepções (bem, não tão recentes, ‘apenas’ desde que eu havia nascido), medo de alguma coisa dar errado e, igual 92, perder a final para um rival, mesmo tendo, desta vez, mais time. Medo, simplesmente medo.

E, apesar do time jogar bem, o medo durou até o Zinho pegar a bola e chutar cruzado, no cando direito do Ronaldo, e fazer o gol. Gol. Goooooooool!

Comemorei. O medo não tinha todo ido embora, mas diminuiu muito após o tempo passar, o gol do Evair, o gol daquele que não pronuncio o nome, o fim do tempo normal. Quando começou a prorrogação, o medo tinha sido substituído pela certeza do título, que nunca havia chegado. E chegou.

Com o apito do fim do jogo, eu era campeão pela primeira vez na minha vida. Era campeão, e não sabia o que fazer, tanto que perguntei para meu pai, em meio à minha catarse, o que eu fazia agora? Corria? Gritava? Chorava?

Ainda no decorrer daquele ano eu arrumei uma namorada, e o Palmeiras foi campeão novamente. Durante estes 19 anos aquela namorada se foi e outras vieram, assim como vieram outros títulos. Mas, se a primeira namorada se foi, o primeiro título ainda é o mais importante da minha vida, aquele que eu mais comemorei, mais sofri, mais vibrei. E mais me recordo.

Assim, 19 dias dos namorados depois, parabéns Palmeiras, meu amor, que apesar das dores de cabeça e das decepções, como qualquer outro amor, é eterno e insubstituível.

Comentários

  1. Mariel Moura junho 13, 2012 at 10:55 pm

    vá se foder com seu primeiro título, seria o meu primeiro também (que só veio em 1995)

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