A ditadura do digital

Que o digital vai substituir o físico na geração de conteúdo, qualquer que seja ele, é um fato e uma realidade, não tem mais volta. Os motivos para tal são inúmeros, dentre os quais podemos citar a facilidade de entrega, o preço, a velocidade de produção, a facilidade de ‘estocar’, entre  outros. E eu acho isto legal, é a cauda longa aplicada ao extremo, permitindo a democratização dos conteúdos artísticos e culturais como nunca antes visto.  Isto permite que uma pessoa com uma câmera simples possa fazer um filme no sertão do Ceará e o mesmo ser visto, minutos depois de publicado, no Nepal e na Nova Zelândia.

Eu mesmo aderi ao digital em muitas áreas da minha vida. Como um voraz consumidor musical, deixei de comprar 2 CD’s por mês e passei a baixar MP3’s, e volta e meia me pego olhando meus CD’s e redescobrindo algo que adoro e não ouço há anos. Com os seriados isto já acontece também, eu nem TV a cabo tenho mais, pois não tenho paciência para esperar o lançamento aqui e, depois, ter que estar na frente da TV no dia e horário certo. O último seriado que acompanhei desta forma foi Lost, e ainda assim nas 3 primeiras temporadas.

Por aí vai: é mais fácil e rápido baixar um filme que comprar um DVD ou alugar (mesmo que a qualidade não seja equivalente), paramos de revelar as fotos e passamos a ter um álbum virtual, cartões de visitas passaram a ser digitalizados no celular, assim como as antigas agendas de telefones e a de compromissos. Quase tudo que conhecemos (pelo menos os como eu, que já passaram da casa dos 30) migrou do físico pro virtual e tende a desaparecer. E eu acho isto ótimo.

Mas, em um coisa, eu ainda sou conservador: livros. Das novidades digitais, foi a última que eu arrisquei e confesso, não gostei. A primeira tentativa foi na tela do computador, e digo que é uma das coisas mais irritantes que existe. Após 3 ou 4 páginas eu já desistia. Então resolvi tentar ler em um tablet, mas não mudou muito. Apesar de mais confortável, não foi uma experiência agradável. Tentei ler dois livros lá e ambos eu desisti, muito mais pela interface do que pela história.

Certo, eu ainda não experimentei o Kindle, que é muito mais amigável, e provavelmente acabarei comprando, mas apenas para os livros que não forem possíveis serem encontrados aqui. De resto, continuarei com o bom e velho livro de papel, comprado em sebo para baratear, ou então emprestado, por um bom tempo, quiçá para sempre. Porque, além de tudo, é muito mais legal e bonito olhar pra um armário cheio de livros do que para um tablet no canto da sala.

Comentários

  1. Raul dezembro 13, 2011 at 7:56 pm

    Minha melhor aquisição foi um Kindle. Posso ler o livro que quiser, sem me preocupar com o peso e o tamanho dele, principalmente agora que estou lendo Guerra dos Tronos.

    Mas continuo com uma mania de só ler o livro que tenho em papel.
    O Kindle uso na rua, e o livro original em casa. Ter o livro físico ainda é mais gostoso que digital.

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