A Máquina Burocrática que Sufoca as Boas Idéias

Empreender não é nada mais do que ter boas idéias e pô-las em prática. E o empreendedorismo está em todos os lugares: se você está lendo este texto no seu computador, é porque alguém um dia imaginou o computador e resolveu construí-lo, assim como alguém imaginou a internet, imaginou o navegador na internet, imaginou uma ferramenta para que cada um pudesse escrever um blog. Imaginou e pôs em prática.

O mundo da forma que conhecemos existe porque existem pessoas empreendedoras. E empreender significa tentar e falhar, tentar e falhar de novo, tentar e ter mais uma falha para, enfim, depois de um monte de falhas, conseguir o sucesso. E, algumas vezes o sucesso não chega da forma que você espera, então é necessário mudar tudo e recomeçar. Esta fórmula vale desde a descoberta da roda até a cura do câncer, sem exceções.

Mas acontece que nós vivemos uma cultura e uma estrutura burocrática que encaram estas tentativas como fracasso, e dão ao empreendedor apenas uma chance, um único tiro que deve atingir o alvo senão será devorado pelo leão. Antes que qualquer pessoa venha dizer que sou anti-brasileiro, paga pau de gringo, cabe ressaltar:

– Abrir uma empresa no Brasil é extremamente complicado, burocrático e caro. O empresário precisa contratar um contador, um advogado, preencher milhares de formulários, um vinculado ao outro.

– A carga tributária no Brasil não apenas é alta (sim, existem países onde ela é maior) mas principalmente é muito complexa (se você não tiver um contador competente, com certeza vai deixar de pagar algo).

– O registro de uma marca ou uma patente é também cara, burocrática e muito, mas muito lenta. Assim, qual o interesse em criar algo, se logo qualquer um pode copiar e você não terá como se precaver.

– Os bancos não existem para ajudar o empresário, e sim para sugá-lo. Uma empresa nova não tem crédito mas tem juros altíssimos, maior do que em qualquer país do mundo e, se ela bobear, cai num rodamoinho do qual nunca mais conseguirá sair.

E é este o maior de todos os problemas para o empreendedor: se ele falhar, ele está morto! Se um empreendedor não obtiver sucesso em sua primeira empreitada, nunca mais conseguirá pagar a sua conta, e os juros ‘honestos’ de 10% ao mês aumentarão exponencialmente a sua dívida, seu nome irá para a lama e, assim, nunca mais conseguirá fechar sua empresa. Com isso, seu nome físico irá para a lama junto, eliminando totalmente qualquer oportunidade de por em prática uma outra idéia.

Assim, da próxima vez que você se perguntar porque empreendedores de outros países criam mais do que os nossos, vale dar uma pensada nisto, e daí sim dar muito mais valor aos brasileiros que põem a mão na massa, e peitam esta máquina sedenta por sangue, arriscando o seu nome, o seu patrimônio, para criar algo novo e dar a sua contribuição para a roda girar.

Leave a Reply