Bruce Dickinson vs. Heineken, a nova indústria musical

bruce-dickinson-iron-maiden-trooper-beer-rock-in-rio-2013

E como o povo adora uma boa polêmica, esta semana teve uma interessante. No último show do Rock n Rio, o vocalista da banda Iron Maiden, Bruce Dickinson se aproveitou das milhares de pessoas ali presentes, e das outras muitas milhares que estavam assistindo ao vivo pelo Multishow, para divulgar a cerveja da banda, a Trooper. Mas claro, não sem antes dar uma boa cutucada na cerveja oficial do evento, que por sinal era uma das patrocinadoras master, a Heineken.

Obviamente, o assunto tomou corpo, a questão foi reproduzida em sites e blogs, e muitas coisas foram ditas, desde que o Rock n Rio passou uma saia justa com a Heineken (com certeza) até que o Iron Maiden já está excluído do festival para sempre (aí já é viagem). Com certeza isso suscitou algumas reuniões de crise, advogados acionados para leitura dos diversos contratos assinados e muitas situações constrangedoras.

Daí muita gente também deve ter pensado: “Ah, o cara é um roqueiro drogado, tava bêbado e falou besteira”. Muito se enganam, o Bruce Dickinson é um dos caras mais inteligentes da indústria musical e um empreendedor nato  (não é a toa que a Campus Party Brasil o convidou para falar na edição do ano que vem). Ele sabia do poder das suas declarações, do quanto isso iria reverberar. E com certeza os advogados da banda leram os contratos de imagem antes dele falar.

Mas o que é isso? Isso é parte da nova indústria musical. Já falei por aqui que a indústria fonográfica entrou em colapso, e vender música deixou de ser a principal renda de uma banda ou artista, e eles já perceberam isso, perceberam que o maior ativo de uma banda ou artista é sua marca, seu nome.

O que vemos? Estas marcas sendo ligadas a toda gama de produto existente, assim como o Kiss vem fazendo há décadas – e mostrando que o Gene Simmons é um visionário. Com isso eles ganham tanto, ou mais, dinheiro que na época das vendas de CD’s.

E uma boa marca, ligada em uma boa estratégia de marketing, é uma máquina de ganhar dinheiro. Portanto, em alguns segundos, o Bruce Dickinson conseguiu apresentar a sua cerveja, que antes era de conhecimento apenas dos fãs, para uma audiência de milhões. Melhor, conseguiu apresentá-la para milhões de consumidores, tanto que o site do produto quase entrou em colapso nos momentos seguintes da declaração.

Bem vindos à nova indústria musical, onde bandas são marcas, são empresas que mandam “empregados” embora – Dave Lombardo e Richie Sambora que os digam -, são conglomerados artísticos. Porque os músicos “amadores” e românticos, que viviam da arte, podem até continuar existindo, mas tocando em lugares cada vez menores com cada vez menos divulgação.

Leave a Reply