Charlotte Hornets, o retorno

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A estrutura do esporte profissional norte-americano é completamente diferente da que conhecemos. Começa que eles funcionam como uma liga totalmente privada, com um número definido de equipes, sem descenso ou ascenso.

Entre as  normas regulatórias (sim, elas existem, e são muitas), está o teto que uma equipe pode gastar em salários, uma divisão mais igualitária das verbas de mídia e uso do draft para a contratação de jovens promessas, já que as “equipes de base” são as universidades, completamente desvinculadas dos times. Tudo isto tem como objetivo um maior número de equipes competitivas, pois eles “descobriram” que, quanto mais equipes fortes, mais forte é a liga.

Por esse e outros motivos, eu, pessoalmente, acredito que temos muito o que aprender com eles, mas algumas outras coisas são bem estranhas para mim.

Sabemos que as equipes são empresas, o que não chega a ser uma novidade no futebol, mas mais do que isso, elas são franquias, ou seja, quem detém a vaga na liga não é a cidade ou o time, e sim um “CNPJ” (não sei qual o equivalente nos EUA/Canadá), e isso significa que o dono pode, com anuência da liga, mudar as cores do time, o nome e até a cidade. E isso gera situações bizarras.

Em 1988, a Liga admitiu dois novos times, o atual bi-campeão Miami Heat e o Charlotte Hornets. Apesar de nunca ter sido um grande time, nos anos 90 a abelha dos Hornets era uma das figuras mais comuns em bonés e camisetas pelo mundo.

Porém, em 2002, o proprietário da franquia entrou em desgaste com a cidade de Charlotte e praticamente iniciou um leilão, que acabou sendo ganho por New Orleans, que adotou o novo time, chamado então New Orleans Hornets, com as mesmas cores e logo.

Como contra partida, a liga “ofereceu” uma nova franquia para a cidade de Charlotte, que foi adquirida por um empresário de comunicação, que após a vendeu para ninguém menos que Michael Jordan (sim, aquele). O novo time passou a se chamar Charlotte Bobcats.

Outra curiosidade é que os nomes são sempre formados pelo nome da cidade mais algo que a represente. E quando a franquia se muda de cidade, leva este nome junto, gerando situações bizarras como a do Utah Jazz, que de jazz não tem nada (o time nasceu em New Orleans, aí sim significando algo).

E por isso mesmo que, como Hornets não tem ligação nenhuma com a cidade de New Orleans (‘Hornet’s Nest’ é como a cidade Charlotte é conhecida nos EUA), eles trocaram o nome e as cores do time, passando a serem chamados de Pelicans, ave símbolo do estado da Louisiana.

Foi então que Jordan resolveu fazer algo que até então não havia sido feito, e solicitou à liga que a sua franquia pudesse adotar o nome de Hornets, já que o mesmo estava vago, e a liga aceitou. Desta forma, o Charlotte Hornets, com suas cores originais, estará de volta na temporada 2014/2015.

O nome está de volta, mas a franquia é outra. Então apesar do nome, das cores e do vínculo com a cidade, este Charlotte Hornets que retorna não é o Charlotte Hornets que saiu da cidade em 2002. As conquistas, a história e os títulos, se o time tivesse, não voltariam. A história do atual Charlotte Hornets é a história do Bobcats, criado em 2004 e a história no antigo Charlotte Hornets, está hoje em New Orleans, sob o nome de Pelicans.

Claro que para o torcedor que vai à quadra torcer, isso não fará diferença. Ele recuperará suas antigas camisas do Mourning, LJ, Bogues e Rice e continuará indo Time Warner Cable Arena (que por sinal não era a arena do antigo Hornets), torcer pelo time. Mas que é estranho, é!

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