Copa do mundo, Alemanha e gestão de equipes

schweinsteiger_indios_alemanha_ap_95 A Copa está quase acabando e, ao contrário do que muita gente achava, ela foi um sucesso. Nem falo apenas dentro do campo, mas fora também. Todo funcionou direito, se não perfeitamente, mas dentro das nossas limitações ela não poderia ter sido melhor.

E, se dentro de campo o futebol foi do mais alto nível, o mesmo não podemos dizer da nossa seleção. Com isso começaram a surgir diversos posts e teorias a respeito do tema, muitos deles voltados ao vareio de bola que levamos da Alemanha.

Vi textos sobre o que podemos aprender com o fracasso, sobre o que o futebol tem a ver com os negócios, fora muita coisa envolvendo o marketing e as marcas durante a Copa. Textos bons, outros nem tanto, mas que trazem uma visão legal, pois eu acho legal quando usamos exemplos e alegorias para falarmos de outros temas.

Eu, no meio de tudo isso, também resolvi dar o meu pitaco. Desde muito novo eu admiro a cultura alemã. Os caras em um século se envolveram em duas guerras, foram destruídos duas vezes, mas se reconstruíram e hoje possuem muitas empresas nas mais diversas áreas, que são responsáveis por muitos produtos e serviços que usamos no dia a dia. Também no futebol eles podem ser considerados um sucesso, pois são a equipe recordista em jogos em Copas do Mundo, possuem três títulos mundiais e times e jogadores que sempre estão entre os melhores do mundo.

Porém, em todos os aspectos, os alemães pecavam em um ponto: apesar de ser muito focados e competentes, eles não tinham a flexibilidade e “ginga” necessária em algumas situações. Desta forma eles sempre foram conhecidos por desenvolver produtos mais técnicos e menos criativos e por terem um futebol pragmático e sem brilho. Só que, esta nova geração do futebol alemão acabou com tudo isso. Culpa de uma série de fatores, como serem jovens mais abertos à modernidade e menos aos estigmas e padrões de seus pais e possuírem uma enorme diversidade cultural e étnica, eles acabaram com todos os paradigmas existentes.

Os alemães foram escolhidos por 10 entre cada 10 torcedor como o time mais carismático da Copa. Construíram um centro de treinamento em Santa Cruz Cabrália, na Bahia, e convivem todos os dias com a população local. Fotos e vídeos abundam com os jogadores com os moradores de lá e com os índios, na praia, dançando, cantando, assistindo jogos pela televisão, como se fossem eles mesmo moradores da comunidade. Um exemplo de carisma e empatia.

Com essa festa, muitos duvidavam que eles conseguiriam corresponder em campo, pois pareciam mais estar em férias do que concentrados para o maior evento do futebol mundial. Grande engano! Este grupo, que vem sendo preparados para este momento há 10 anos, treina todos os dias e agora está na final da Copa, com direito a uma das maiores apresentações que uma equipe já teve e a maior derrota da história do futebol brasileiro.

Esta geração conseguiu ser a síntese perfeita entre o profissionalismo e a flexibilidade, o pragmatismo e a criatividade, a expiração e a inspiração. Ela mostrou que uma equipe com alto potencial, gestores competentes e um planejamento bem feito são capazes de produzir muito e com qualidade, sem perder o carisma, a humildade e a criatividade. Ela trouxe uma lição para o mundo dos negócios, ao mostrar que é possível sim ter o melhor dos dois mundos, desde que todos estejam comprometidos com o resultado e realizem as suas tarefas, sejam ela quais sejam, com prazer.

Uma equipe competente, criativa, alegre, multidisciplinar e complementar, capitaneada por gestores empáticos, arrojados e competentes são capazes de inovar e modificar qualquer empresa, não importa o modelo de negócio e segmento que ela possua. E acaba com a desculpa que “sempre foi feito assim e funciona, por isso não vale a pena mudar”, que é a maior muleta dos profissionais e organizações covardes e acomodadas.

Este time da Alemanha pode não se sagrar campeã, mas o que eles já fizeram até aqui ficará marcado para sempre na histórias das Copas. E pode ficar na sua história, se você conseguir assimilar esse ensinamento.

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