Poesias

W.A.R. 


Quebrando tudo fronteiras
Homens despedaçados caindo
Não vejo mais porque sair
Senão buscar o que não sobrou
Deixado aos abutres que devorarão
Almas e ossos malcuidados
Chapados do ócio humano
O vento que vai leva
Trás de volta o que não devia
E esquece o que queríamos
Humos e pus que pulsam
Sangue que vaza e pára
Coagula e se quebra

Não pense em nada
Não vai adiantar
O que queremos se foi
E temos o que merecemos

VOCÊ

Quebre todas as amarras
que prendem você ao mundo
que castram sua consciência
que trituram sua mente

Ignore o que falam de você
não pense em seus atos
apenas aja como quiser
apenas ouça seu coração

Quero ver você livre
agindo por sua própria vontade
tendo consciência de seus atos
e não se arrependendo depois

A destruição do homem
bloqueando seu cérebro
transformando sua humanidade
numa cultura de nada

Então, não pense, não aja!
não se arrependa do que não fez
você, não merece viver
isole-se, apenas sobreviva

 

 

UM UNIVERSO EM CRIAÇÃO

¿No início havia apenas trevas.
Então, fez-se a luz.¿

Das trevas para a luz,
ainda pequena e fraca.
Criou-se a vida,
será o início de desgraça?

Energia solidificada,
Criando a matéria.
Sinto um calafrio,
Percorrendo-me cada artéria

Bactérias unicelulares.
Pequenos seres aquáticos.
Os seres vão desenvolvendo-se,
Tornando-se mais apáticos.

Surge o homem.
A maior criação divina.
Belo e imperfeito,
Nada mais me fascina.

Com a criação,
A transformação.
Com a renovação,
A destruição.

Um ser criado
À imagem e semelhança do Senhor.
Parece que define
Uma criatura perfeita em seu valor

O Universo não foi criado.
Ele continua em evolução.
Os ciclos vão passando.
Novas vidas surgirão.

O homem se acha perfeito.
O cume da criação.
Não passa de desejo.
Nada mais que pura ilusão.

 

TUDO

Quando do nada chega ao tudo
O mundo gira em volta do mundo
Levando a cor e o som imundo
Do grito de dor quebrando tudo

Quero paz, busco amor
Nada peço, chega de dor
Quebre o passo, o calor
Vida suja, mal odor

Condicionado ao afável
Buscando querer o amável
Atinjo assim o inevitável
Meu amor, inseparável

Estrofes escritas de rimas parcas
Mundo feito sem muitas marcas
Pare com isso, guarde as armas
Parcas marcas de armas, é tudo


TREVAS

Acordei, olhei pela janela e nada vi.
Era apenas escuridão, trevas.
O mundo enegrecera, algo acontecera.

Belisquei-me, estava sonhando.
Falsa ilusão!
Aquilo realmente era real.

Não poderia ser verdade!
Onde foram parar todos?!?!
Encontrei-me sozinho.

A solidão tornaria se parte de mim.
Teria apenas à mim por companhia.
Viveria no nada.

Olhei novamente, não podia acreditar!
Sozinho no mundo!
Mas, que mundo?!?!

Sentado em minha cama.
Tentando me acostumar com o futuro.
Observei um brilho.

Aos poucos, tomando forma
Visualisei sua boca
Refletindo um sorriso resplandecente

Vi você! Parada à minha frente!
Seu corpo tomava forma,
O mundo reaparecia.

Levantei-me, e caminhei
Aproximei de ti, braços abertos
À seu sorriso contemplar

O sol brilhava, os pássaros cantavam.
O mundo ressurgia
Meu mundo retornara

Mas, surpresa qual não foi,
quando ao aproximar de você,
sua imagem desaparecera.

Com ela, o sol, os pássaros.
A breve ilusão de sua chegada
substituída foi pela decepção.

As trevas e o silêncio reinavam.
Deitei em minha cama e,
Chorando, sonhei com você.


SÓ MAIS UMA VEZ

Queria te ver só mais uma vez
Te dar mais um abraço
Receber mais um beijo

Queria te ter só mais uma vez
Ver novamente seu sorriso
Olhar mais uma vez em seus olhos

Queria te ouvir só mais uma vez
A doce melodia de sua voz
O suave perfume de seu corpo

Queria te sentir só mais uma vez
O toque de suas mãos
O brilho de sua alma

Queria te amar só mais uma vez…


SINFONIA DO UNIVERSO

Minha busca só se cessará
Às doze horas da noite
Ao som dos sinos
Ao sussurro do vento
Trovões e relâmpagos
Folhas caídas
Galhos partidos
Corpos molhados
Calor e odor
Amor e dor
Frio, umidade
Vento gélido
Peles partidas
Almas sofridas
Corações gelados
Ao som da sinfonia do universo
Que rege a vida
À desgraça do homem
Joelhos ao chão
Costas molhadas
Sangue escorrendo na testa
Quando passa a vida
Seus olhos viram
Explodem
A beleza é parca
Tarda
Falha
Vibra em cores vivas
Vira três, sorria
Mas deixa viver
Sofre e correr
Chorar por amar
Por deixar de amar
Por deixar de viver
Tornar a sofrer
Quebrar e morrer
Sorrir….. pela última vez


SANGUE E LAMA

Perante a fúria de seus opressores
Corpos caídos na lama
O sangue diluído à água
Colorindo de vermelho o chão
Onde crianças brincavam e sorriam
Onde velhos conversavam e carros passavam
Onde sangue escorre e vidas terminam

Crias de um mundo negro, ao tempero do ódio
Quebrando ossos e partindo vidas
Sob as estrelas de um céu limpo
Iluminado apenas pelo fogo
Fogo que resulta de inúmeras explosões
De casa, de corpos, de almas
Resultado de crises de autoconfiança
Filhos da angústia e da covardia
De seres que, afundados em seus temores
E para provarem sua coragem
Ordenam que irmãos matem irmãos
E então
Sobre uma montanha de cadáveres
Cabeças, braços, corações
Com os pés sujos de sangue, afastando
O corpo de uma criança retalhada
Bradam com todo vigor:
Eu venci !!!!


PRESO

Condicionado a padrões
Vidas regradas de ética e moral
Poesias feitas com rimas perfeitas
E desenhos de sol e de mar

Pare com isso
Aqui não é meu lugar
Não me encaixo nisto tudo
Quero paz, liberdade
Choro, minhas lágrimas bloqueiam minha visão
Destruindo minhas ilusões
De um mundo existente
Não que mais viver aqui
A dor é muito
Sou infeliz, mas nada adianta
Resmungo, sofro
Mas nada resolve
Quero atingir algo novo
Leve embora
Meu coração racha
Ele é de carne e músculos, sangue e oxigênio
Odeio isto!!!!!
Preso a carne e matéria
Limitado nesta prisão de dor
Sofro demais
Ilusões e dores humanas
Amor, ódio, paixão
Quero destruir tudo!!!
Chega!!!!!
Deixe-me viver!!!!
Dos meus olhos pingam sangue
De minha boca também
De meus ouvidos
De minha garganta
De meu peito
É………
Esta é uma prisão infalível
A prova de fugas

Se você escapa dela
De nada adianta
Sua alma se vai
Mas sua prisão cai
Você descobre que dela precisa
Que não pode viver mais fora dela
Um pássaro condenado à eternidade numa gaiola
Que, quando aberta
Mata o pássaro
………….. é tarde!
Pena!


POEMA EM UMA DOR SÓ

Quando, depois de muito sofrer
Você vim a encontrar
Realmente passei a crer na felicidade
Achar que tal era real

A cada momento com você
Tentava prolongar pela eternidade
Imortalizando cada beijo
Curtindo como se fosse o último

Nada fazia-me separar de ti
Sempre sentia a paixão pulsar
Meu mundo transbordar
De sentimentos de abundante alegria

Cria que aquilo era infinito
Que o mundo se manteria
Em seu estágio de amor
Alegria, paixão e ardor

Mas, um dia, ao acordar
E olhar ao meu lado
vi algo que me chocara
Você desaparecera

Não podia ser realidade
Todos os momentos felizes juntos
Todo o meu amor
Não foram suficientes

Então, você
Sem pensar em mim
Abandonara-me
Suicidara-me

Deste dia em diante
Parei de crer na felicidade
Na alegria
No amor

Pior de tudo, parei de crer na vida
Algo que muito me ferira
E, que hoje para mim
Não mais existe

Você se foi
Eu também
Um dia voltaremos a nos encontrar
Em algum lugar
Do lado de lá


PERDOEM-ME

O tempo que passa
O segundo que muda
O que não volta fica
O que se vira erra

Passado abrupto
Onde quer que se olhe
O que se vê é apenas…
O presente

Fere fundo
Marcas pesadas
Lembranças corroídas
Adeus ao povo

Errei
Sei o que fiz
Arrependi
Não mais adianta

Choro recluso
Punição interna
Dor na carne
Fogo na alma

Mas…
O tempo é passado
O fato, consumado
Irreversível

Perdoem-me pelo que fiz
Aqui estou sofrendo
Por mim
Por quem amo

O tempo há de passar
Que ele me perdoe
Mas as marcas
São eternas


PERDER

Quando perderes algo
No meio de sua caminhada
Perderes o caminho
A busca, ao nada
Será soturna criatura
Alvejando em busca da luz
Que nada quer contigo
Destrói seu querido amigo
Inocente desta vez
Coberto de sangue e de pus
Visto ao longe perto
Quebro ou ainda quero
Que me veja ao longe
Buscando o que vejo
Quase nunca o que beijo
Mas só o que sofres
Nos montes que subo
Achando o que quero
Querendo o que não acho
É dia. O sol está só
No céu infinito
Brilha onipotente
Com seu brilho presente
Ilumina meu amor
Mas não mostra-me onde estou
Me deixando perdido
No caminho que sigo
Onde, vivo e digo
Só estou
Meu caminho me deixou
Me resta correr
Para onde seguir
A sombra da minha alma
Que me mostra triste
Onde ir
Onde morrer


PASSADO

Quando você acordar
E ver o que se passou em sua vida
Perceber o que foi perdido e
Descobrir que o tempo não volta

Não adianta chorar
O tempo se foi
E as lembranças não mais existem
Apenas um negro na memória
Pois nada há para se lembrar

Termina aqui uma história
Antes nunca contada
Antes nunca conhecida
Anteriormente diluída
Num cálice de vinho imortal
Transformado pois no vinagre dos tempos
Na escuridão do nada
Que jamais existiu
Sendo assim, impossível acabar


OS QUATRO ELEMENTOS

Sou um personagem de uma história cheia de entreveiros
Sou uma criatura feita pelo universo
Sou de ar
Sou de terra
Sou de água
Sou de fogo

Tive meu corpo moldado da mais pura rocha
Em toda sua magnitude e dureza
Dando-me forças para suportar todas as dificuldades
Meus músculos, meus ossos
Minhas pernas, meu crânio

Tive minhas entranhas moldadas da mais fértil terra
Permitindo a mim, saúde, vigor
Capacidade de combater todos os elementos a mim nocivos
Meu estômago, meu pulmão
Meus rins, meu fígado

Tive minha mente moldada na mais límpida água
Pura, cristalina
Permitindo-me pensar da maneira mais clara possível
Meus neurônios
Meu cérebro

Tive o meu coração moldado no mais vivo fogo
Quente, em labaredas vigorosas
Fazendo-me sentir o mais forte dos sentimentos
Calor que tece minh¿alma
Com o mais puro e violento dos sentimentos
O amor


ORVALHO

Pensando em tudo que ficou para trás
Olhando para frente e pensando
Vejo se vale a pena lutar
Sofrer pelo passado, buscar o futuro,
Quando não posso controlar o presente
Vivê-lo na intensidade que devia
Com o fervor de um dia de sol
Um casal de namorados
Amando-se ao luar
Quebrando um galho de oliveiras
Caindo ao rio, seguindo o curso
Até chegar ao mar
E afundar, ao fundo
Indo ao mundo
Sorrindo, caindo
Vendo o mundo girar
Querendo achar o som
Que gera o sorriso
Sorriso de hoje
Que não construí, e que
Infelizmente,
Se levam
Como uma folha
Molhada de orvalho
Levada ao vento, e
Quando aterrissar,
Ao fogo,
Queimada será
E você, irá, ao fim
Ao fundo, ao mundo
Adeus!


O CHÔRO DOS ANJOS

Os anjos pensam
Observam os homens
Buscando entender
O que somos
Porquê agimos assim

Eles apenas querem
Entender nossa mente
Conhecer nosso coração
Violência
Fome
Miséria
Solidão . . .

Os anjos choram


NADA

Olho, nada vejo
Penso, nada lembro
Toco, na sinto
Ando, nada chego
Parto, nada choro
Sofro, nada sou


MUNDO DE ILUSÕES

Cremos no amor
na vida eterna
na paixão infinita
num mundo sem dor

Quero você sorrindo
depois de viver neste mundo
injusto, cruel
sem caminhos para trilhar

Nada basta para um homem
sua eterna e infinita ambição
sua busca à felicidade
seu desejo de conquista

O poder é o que mais atrai o homem
ele não precisa de riquezas
ele não precisa de amor
mas sem poder, ele não existe

Busque em seu interior
a felicidade ¿eterna¿
não procure no amor
uma solução para seus problemas

A tristeza fará com que você
depois de vãs tentativas
desista de procurar a felicidade
e contente-se com sua humanidade


MONTANHA

Quando
Ao escalar a mais alta das montanhas
Você olhar para baixo, nada vai ver
Tão alto esteja, ainda será o mesmo
Nada
Não importa o valor de sua escalada
As dificuldades, a neve, o frio
Ao atingir o tomo, continuará tudo igual
Indiferença
De todos perante você e sua glória
Ao lutar para atingir seu objetivo
Buscando sucesso e fama perante todos
Você
Seja você
Sorria
E mande o mundo para baixo
Seja da montanha
Ou se suas mãos


MITOS

As areias do deserto
Agitadas pelos ventos fortes
Cobrem então todos os segredos
Que ao longo dos tempos foram criados
Pelo homem ou quem quer que seja
Escondendo assim da humanidade
Mistérios de um tempo passado
Que elucidariam nosso tempo
Mas que, por uma simples camada de areia
São apenas mitos


LUZES NO VITRAL

Por mais que se passe o tempo a vida é mesmo igual
Passos caminham em busca da sina, tudo isto é normal
Fatos que passam como lembranças de uma vida banal
Luzes brilhando tomando forma de um lindo vitral

Estamos crescendo e aprendendo como tudo é igual
Mesmo pensando em que se passa muito disto é normal
Uma existência de fatos ilustres ainda assim é banal
Não torne sua vida cheia de luzes em um simples vitral


LEMBRANÇAS

A única coisa que me vem na cabeça agora
É apreciar a beleza e a dor deste momento
Vejo um caixão envolto de flores
E de pessoas chorando a sua volta
Um corpo jovem nele jaz, levando todos a perguntar
O porque deste momento
Mas é belo aquilo apreciar
Coroas de flores a ornamentar o ambiente
Muitas pessoas lá a acompanhar
A chorar, a lamentar
Vejo tudo aquilo mas não consigo chorar
Parece tão magnífico e soberbo
As preces, as orações
Os comentários, as lamentações
A tampa de madeira ornamentada cai
Escondendo aquele corpo de todos
Os prantos aumentam
A dor, também
Levado para seu último passeio
O jovem é acompanhado por muitos
Companhias de sua ultima volta
Na cidade onde viveu
Ao afundar na cova fria
Havendo as últimas despedidas
Percebo que já não admiro isto
Está muito frio, e triste
Quero chorar, gritar, mas não posso
Ao perceber a última placa de cimento
Esconder de todos aquele corpo, percebo
Aquele sou eu!!!
Era eu o jovem!!!
Era, porque agora, de mim, só restam……
Lembranças


LABIRINTO DE PALAVRAS

Após usar muitas palavras
A maioria que não sabemos o significado
Erroneamente aplicadas
Tentando assim dizer algo
Acabando por dizer nada
Chegando a lugar algum
Pois ao buscar explicarmos o que somo
Perdemo-nos nas palavras
E terminamos por fracassar
Ao nos expormos
Ao dizer quem somos
Presos em palavras
Mortos em ser


ICARUS

Subindo e descendo
Indo do topo ao chão em menos de um instante
Buscando o azul do céu
Quebrando as pernas ao cair da montanha
Depois que suas asas de cera derreteram
Ao se aproximar do sol

O horizonte é bonito
Mas é sempre inalcansável
Por mais que se corra
Ele nunca chega
Porque ele não existe, é apenas ilusão

Corra! Fuja! Seus monstros te querem
Alimentar-se de suas vísceras
Sugar seus olhos e satisfazerem-se
Com seus pesadelos


FRAGMENTOS

Brinco com as palavras assim como Deus brinca com o mundo
Posso criar um universo, e destruí-lo
Crio o amor, crio a dor
Crio tudo aquilo que posso e que imagino
O dom da palavra é o dom da criação

Mate crie corra jogue chova
Palavras….

Cansei
Vou prá casa
Não quero mais ficar aqui
Os meus vem me buscar, me despeço de todo
Adeus!!!!!!
E, amigos, por favor…..
Um dia me visitem

Lágrimas de dor e de solidão
Sofismas de um mesmo tom
Quebrando o som puro e limpo
Música, amor, dor


CARTAS

A dificuldade em se construir
Tempo gasto se fazendo
Algo que vai ser
….Destruído

Difícil entender o homem
Lutador, criador
Desejando o melhor
Fazer seu nome, honra
…. Para que?!?!

Um castelo de cartas
Minuciosamente construído
Mas que, ao se por sua última carta
Vai-se todo ao chão
…..ao nada

Sonhos
Construídos sobre alicerces frágeis
Suscetíveis ao tempo
À vida
….sofrível

Chora-se
As lágrimas molham as cartas
….os sonhos

Mas, quero viver
Sem sofrimento,
Sem dor
….sem sonhos


CAMINHO ALGUM

Uma longa estrada
Que nos leva a nada
Direcionada ao infinito
Buscando chegar a lugar algum
Mas, apesar de todas as sinalizações
De todas as placas indicando
Não siga
Nossa teimosia é maior, e resolvemos seguir
Seguimos, seguimos e seguimos
Seguimos para algum lugar
Seguimos para lugar algum
Brincamos de andar
De seguir o caminho
De chegar lá
Lugar nenhum
Ao nada
Ao fim
Ao caminho que segue
Seguimos o caminho
O caminho segue
Seguimos
Andamos
Mas não chegamos
Chegamos onde?
Cansamos
Mas o caminho ainda segue
Segue
Para lugar nenhum
E nunca chegamos
Mas,
Ainda caminhamos…


BLOOD

Uma gota de sangue
que escorre pelo seu corpo.
Curvas sinuosas
d¿aquele lindo corpo.

O vermelho forte,
destacado pela brancura:
singela e sublime,
doce e pura.

O sangue que escorre
passando voluptuoso e quente.
Passando pelo seu ventre,
deixando sua trilha ardente.

O mesmo sangue que cria,
que vive, que move;
é aquele que mata,
que se esvai, que morre.

As gotas de sangue,
escorrendo daquele corpo,
levando a essência vital,
deixando o morto.

 

 

ATÉ AMANHÃ

O tempo passa… lentamente
Esperando que algo possa se recuperar
Mas não é assim que será
Quem se vai não retornará
Você ficará esperando
Horas a fio
Observando o horizonte
À espera de uma imagem
Que você sabe
Não verá

Mantém fé…
Esperança…
Acredita que o tempo
Encarregará se trazer
A pessoa amada…

Mas uma partida para sempre será
Nunca retornará…
As estações se passam
Folhas caem e crescem
O sol brilha mais forte
E depois se afasta

E você não desiste
Não se afasta
Os olhos permanecem fixos
Esperando…


ASAS DE FOGO

Nas mais profundas trevas
Busco achar um caminho
Por entre este labirinto
De paredes frias e cortantes
Que marco com vermelho do meu sangue
Deixado pelo caminho
Junto com fragmentos de minh¿alma
Atormentada pelo vento cortante
Pelo som ecoando em meus ouvidos
Vejo então uma luz ao fim
Meu medo desaba em preces
Esperando pelo fim deste temor
Encontro um anjo
Com asas de fogo
Olhos vermelhos e frios
Voando em minha direção
Como sua espada de punhos
Ao me olhar, ele sorri
Ao retribuir o sorriso, sinto a dor
O sangue jorra de meu peito
Minha vida se esvai
E o anjo, feliz
Retira meu coração
Enquanto meu corpo inerte cai
Desabando no chão
Já morto

 

AO FIM, O COMEÇO

O nectar da flor
Levado pela abelha
Passando por entre a dor
Vindo por uma centelha
Calor, amor
Você me olha e me beija

Sorria para mim
Diga o que quer
Vejo você e digo enfim
Quero te ver mulher
Ao longe, vindo
Chegando e sorrindo

Beija-me e diga
Sei que te ver a sina
Aos beijos de uma vida
Olha, caminha, siga
Quando busca, chega
Quando luta, sangra

Por isso lhe peço
A vida junta à ti
Cantando te meço
Feliz me faz, vivi
Cantei, chorei
Sorri, morri

Amor é dor
Cantar é sorrir
Viver é sofrer
Fui, voltei, achei
A ti procuro
A ti serei
Seja minha
O mundo lhe darei


ANTAGONISMO MORTAL

O fogo, que nos ilumina, queima . . . e mata
O frio, que nos refresca, congela . . . e mata
A água, que nos mata a sede, afoga . . . e mata
O pão, que nos alimenta, engasga . . . e mata
A terra, que nos sustente, soterra . . . e mata
O ar, que nos cria, escassa . . . e mata
O vento, que nos conduz, excede . . . e mata
O sangue, que nos sustenta, jorra . . . e mata
O amor, que nos guia, vai-se . . . e mata


AMIGOS

Pare tudo
Repense cada atitude
Não abandone seus sonhos
Não se esqueça das pessoas
Que um dia passaram
Em sua vida

Amigos para sempre
Criados e curtidos
Transformados
E nunca esquecidos


ACHAR

Quem foi que no meio do fogo
Avistou o sol, brilhando alto
Sorrindo no céu
Dizendo-me que corra
Para achar o corredor
Que leva ao infinito
Passando aqui por perto
Mas deixando-me tão longe
Desta vida que tenho

Sinto que tenho que ir
Não sou mais daqui
Sou de lugar nenhum
Mas quero achar meu lugar
Porque não parar?
Descansar um pouco?
Sorrir, viver?
Tudo bem, o sol me guia
Me leva para casa
Minha casa
Ou sua casa?

Onde você mora?
Quer me levar embora
Viver contigo
Sorrir durante o dia
Sonhar durante a noite
Viver a vida toda
Sentir ser amado
Sentir viver
A Alma floresce
A flor de abre
A vida volta

Achei meu lugar
É aqui mesmo
Ao seu lado
Sorrindo
Amando
Vivendo
Chorando…..
…..de alegria de viver