O Futebol e o Telecatch: um vai virar o outro?

O que o futebol e o telecatch (ou luta livre, ou qualquer outro nome que seja) têm em comum? Aparentemente nada, pois o segundo nem um esporte é, e sim um teatro muito bem coreografado, com alguma dose de violência, como ficou claro no filme O Lutador.

Como eu gosto muito deste “esporte” e acompanho desde a época do finado Gigantes do Ringue, passando por diversas temporadas da WWE, além de ler algumas coisas sobre, pude entender bem como funciona. Normalmente são dois grupos de lutadores, os “do bem” e os “do mal”, que se digladiam entre eles, não só pelos títulos, mas também em pequenos arcos de história. E, nestes arcos, eles mudam de grupos, por atitudes que tomam, brigas que iniciam, partidos que tomam. Porém, acima de tudo, os lutadores têm fãs, que torcem por eles independentemente do lado que estejam e se estão campeões ou não.

Bem, na verdade os que têm fãs são os melhores, os mais famosos, pois existem muitos que são apenas coadjuvantes, que entram no ringue para perderem, ou então para fazer número em lutas de duplas, trios ou mesmo nos Royal Rumbles, que são 20 lutares no ringue ao mesmo tempo.

Perceberam algumas semelhanças já com o futebol? Aqui também temos os times que têm mais torcedores, que são os que acabam sendo campeões, e aqueles que são meros coadjuvantes, que aparentam lutar por um lugar ao sol mas que de fato se contentam com este papel secundário.

Tá, mas em todos os esportes isto acontece, então vamos direto ao assunto: na luta livre tudo é predefinido e determinado antes de começarem as lutas, e todos os lutadores (atores?) estão de acordo e sabem o que vai acontecer. Tudo mesmo, os golpes, as rixas, as conquistas. E nesta escala hierárquica, existem alguns poucos lutadores que sempre disputam o título principal, outros que vencem muitas lutas, mas que normalmente ficam com os títulos secundários e aqueles que ficam como meros sparrings. E o que leva um lutador a galgar de um nível para outro, seja para cima ou para baixo, é a empatia com o público e o número de fãs, que pode ser traduzido numa simples equação: aquele que dá mais retorno financeiro para a associação ganha mais lutas.

Assim, quem será o campeão não será aquele que é tecnicamente melhor ou mais forte, e sim aquele que vende mais tralhas na lojinha e mais PPV das suas lutas.

Ah, agora vocês estão vendo mais semelhanças com o nosso futebol. Isto já começou a ser feito direta e indiretamente. Diretamente com a história de transferir as maiores cotas para as equipes que teoricamente têm maiores torcidas (e vendem mais PPV). A Espanha matou seu futebol por isso e o Brasil encaminha para isso. Indiretamente, mas que jamais será admitido, é o fato de os resultados serem manipulados nos bastidores, beneficiando aqueles que são financeiramente mais rentáveis. A quem interessa hoje um título disputado entre Coritiba e Bangu? Sejamos sinceros, a ninguém.

Desta forma, e com o que vemos, é questão de tempo para que isto seja oficializado, e que o futebol passe a ser um telecatch, onde os resultados já estarão definidos antes do início dos jogos, por interesses e algoritmos que desconheceremos. Assim, alguns poucos disputarão os principais torneios (Brasileirão, Libertadores), outros ficaram com os menores (Regionais, Copa do Brasil, Sulamericana) e outros serão apenas para compor os jogos.

E o torcedor, como não saberá qual é o resultado, vai continuar assistindo aos jogos, torcendo para que seu time seja o escolhido da vez.

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