O futebol mudou: adapte-se ou morra

E o campeão europeu é o Chelsea. Clube amado por muitos, porém odiado por outro tantos, por causa de sua última década. Muito menos por causa do futebol retrancado, que eliminou o festejado Barcelona e bateu, em pleno Allianz Arena, o Bayern Munique, e mais por causa da postura do seu proprietário, o bilioário russo Roman Abramovich, que investiu uma fortuna contratando jogadores e treinadores para transformar o time em uma super potência.

Para muitos, o Chelsea foi um divisor de águas no futebol mundial, dando início a uma era onde o futebol definitivamente passou a ser administrado como uma empresa e que títulos e jogadores de nome significam, mais do que tudo, lucro. Certo que antes já existiam clube empresas no mundo, mas desde então ele passaram a ser tratados cada vez mais como empresas mesmo e a camisa, como uma marca, que precisa ser fortalecida mundialmente.

Com isto começaram as grandes contratações, o investimento maciço em marketing, as excursões para mercados onde o futebol não é tão forte, a venda de todos os itens possíveis com a marca do clube, a captação de jovens torcedores de todas as nacionalidades.

Outros clubes seguiram os passos do Chelsea, sendo o caso mais conhecido o do Manchester City, curiosamente o atual campeão inglês, após 44 anos. Isto mostra que, apesar de todos os pesares, esta fórmula é um sucesso.  Junte um milionário e um clube de futebol, dinheiro para contratações e a paixão dos torcedores e uma administração que quer títulos para lucrar e dificilmente você terá fracassos.

E é isto que incomoda os mais puristas:  o futebol finalmente assumiu que é uma fábrica de se fazer dinheiro e está fazendo isto. Um passado glorioso não garante mais um presente vitorioso, uma torcida apaixonada apenas não é suficiente para levar um time ao título, a camisa não joga mais sozinha.

O futebol mudou, porque o mundo mudou. Se é para melhor, não sei dizer, mas ele mudou. E, desta forma, os clubes têm duas opções: adaptar-se ou morrer. E é por isto que eu, palmeirense apaixonado, tenho duas coisas a dizer: tenho muito orgulho dos anos Parmalat e as portas do meu Palmeiras estão abertas para um sheik árabe investir e devolver nossas glórias. Eu aceito que o futebol mudou, e adaptei-me, como torcedor. Só espero que meu time também pense assim.

Comentários

  1. Fábio Vanzo maio 21, 2012 at 3:39 pm

    Nada contra clubes-empresa, nem contra parcerias milionárias. Mas como competir com lavagem de dinheiro? No mínimo deveria haver a exigência de responsabilidade fiscal. Chelsea torrando 900 milhões de cruzeiros no time e fechando o balanço sempre no vermelho é ultrajante.

    [PS: não era você que odiava o futebol moderno?]

  2. Hiran maio 21, 2012 at 3:49 pm

    Então, não estou dando a minha opinião pessoal, dizendo se é certo ou errado, apenas falando que é uma realidade que não tem mais volta.

    E sobre lavagem de $$$, é uma situação complicada. É possível ter dinheiro ‘limpo’ no esporte, como há nos esportes norteamericanos e em mtos outros times.

  3. Hiran maio 21, 2012 at 3:51 pm

    e não q eu seja a favor, mas qdo eu percebo que ser purista é ficar preso no passado, posso mudar minha opinião… faz parte do jogo

  4. marielmoura maio 21, 2012 at 7:16 pm

    Gostei! O Corinthians já ganhou títulos financiado pela MSI, cujo Kia Joorabchian era laranja do mesmo Abramovich, vou falar o quê?

    Bom é saber que mesmo com empresas investindo, lavagem de dinheiro, influência de casas de aposta, juízes comprados e corrupção ativa da FIFA com as federações, o futebol continua sendo um esporte onde o imponderável ainda é possível.

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